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Local: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil

Quem passou pela vida em branca nuvem/ E em plácido repouso adormeceu;/ Quem não sentiu o frio da desgraça,/ Quem passou pela vida e não sofreu,/ Foi espectro de homem - não foi homem,/ Só passou pela vida - não viveu. (Francisco Otaviano)

8.9.08

Crescimento

Comecei a escrever por necessidade. Porque pareceu-me inevitável escrever como para a criança é inevitável chorar. Uma espécie de sobrevivência instintiva. Cada letra é uma coceira nos olhos freando o sono, e os braços esticados pedindo colo.
Vi meus versos tomarem forma, perderem peso e pujarem a estatura, até que começaram a usar roupas na frente das pessoas. Só criança tem o luxo de andar nua. Vesti meus versos com imaginação, mas, nessa idade, roupas duram pouco.
Da infância que passou, meus versos começavam a escrever por si só, se considerando maduros. Vestiam-se de futuro, numa algoz escapada da vida. Agrediram-me, esmurraram as portas com palavras duras e fonemas perdidos. Nunca acharam que a vida teria sentido se não fosse pela dúvida.
Vi meus versos tomarem rumo, perderem medos e pujarem o escrúpulo. Só criança tem o direito ao lúdico. Onde estiverem agora, meus versos se empregam pelo mundo, amando e desiludindo-se como sempre fiz: intenso, apaixonado e amiúde.

2 Comments:

Blogger Arte com menta said...

Já dizia Baudelaire que o gênio é a infância dotada de orgãos viris e do espírito analítico. Assim, o poeta é capaz de ordenar a soma de materiais involuntariamente
acumulada...

10:34  
Anonymous Anônimo said...

Humiiiilha!
Adivinha quem e'?
:p

15:45  

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