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Local: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil

Quem passou pela vida em branca nuvem/ E em plácido repouso adormeceu;/ Quem não sentiu o frio da desgraça,/ Quem passou pela vida e não sofreu,/ Foi espectro de homem - não foi homem,/ Só passou pela vida - não viveu. (Francisco Otaviano)

15.12.08

Mãe e Filha

Acho que até sei da vida.
Ora é a sede da terra, ora é a saliva.
É uma bênção de febre maldita
quando é pecado (e é também coisa divina).
É a envolta escuridão e a lamparina.
Idas e vindas; dias quentes e noites frias.
É improvável e devida.
Mar e água-viva.
Palco e bailarina.

Umas vezes, destino; outras, é labirinto.
É um ponto fixo, e é reta num plano infinito.
Ora seduz, ora larga como abandona-se um bicho.
Tem horas que pareço, da vida, o filho;
noutras, pareço um pai ditador e mesquinho.

Acho que até sei da coisa.
Não que a tenha vivido por toda,
mas da vida tenho sabido, mesmo que pouca.

Em momentos únicos
a vida me parece absoluta,
mas quase sempre é relativa.
É relação afetiva.
A vida é fração, divisão,
mesmo quando parece subtraída.

Em termos, é até mascarada
e, por baixo, sentida.
Por fora, introvertida; por dentro, enfeitiçada.
Já cogitei comparar a vida à montanha,
ela como todo, com suas encostas de pedra,
seus barrancos de terra,
seus córregos e cachoeiras.
A vida é estranha,
mesmo quando parece corriqueira.
São as entranhas do vento que a vida é
(Se é que há no vento algo interno).

A vida é propícia e, ao mesmo tempo, derradeira.
Não sabe quando ir, não sabe quando chegar.
E por ser tão indefinida e atabalhoada,
tende a ser preferida por quem vive mais.

E sabe que nela vejo, de tempos em tempos,
um quê de personalidade inserida.
Parece-me a única mulher com quem me casaria.
E claro, a música minha amante eterna,
dela nascida. A filha e sua mãe.
Música e Vida.